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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Discurso Formatura 2018 - Canuta


Boa noite a todas e a todos! Nossos cumprimentos à equipe diretiva, aos professores, às pedagogas e demais funcionários, às autoridades eclesiásticas, aos familiares e amigos, e, é claro, aos formandos!
Pela segunda vez, desde que trabalho nesta escola, posso participar da cerimônia de colação do ensino médio. Pela primeira vez, com muita honra e orgulho, fico responsável por deixar-vos uma mensagem, que será breve, porém, repleta de carinho e de esperança.
Meus caros formandos, hoje é uma noite de alegria para todos, porque esta cerimônia simboliza o fim de um ciclo e o início de um outro. Nos sentimos honrados, exultantes ao compartilhar convosco este momento tão belo! E o que desejamos é que aproveitem este instante em toda a sua potência, pois o único modo que temos para experienciar a eternidade nesta vida é justamente naqueles raros momentos de êxtase, nos quais nem passado nem futuro pesam sobre nossa frágil consciência.
Muitos de vocês chegaram aqui ainda crianças, no ensino fundamental, outros já no primeiro ano do ensino médio, alguns vieram no decorrer do processo, uns poucos quase em seu final, outros ainda foram para outras escolas, outros turnos. Entretanto, cada um, a seu modo, contribuiu para a construção deste caminho. E, se este percurso que vocês trilharam foi bom ou ruim, saibam que nós o construímos juntos. É como escreveu o poeta espanhol Antonio Machado: “caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”.
A partir de amanhã, vias de fato não haverá coisas como uniforme, merenda, recreio, atraso, gincana, fetec, canutão, simulado, rodas de conversa. Não haverá mais a possibilidade de identificar-se como aluno do terceirão do Canuta. E muito embora possa parecer triste, e de fato é um pouco mesmo, pois perder a identidade causa um certo vazio, não se preocupem: outras identidades virão, outros desafios virão, maiores, mais complexos e mais árduos que este agora vencido, entretanto, possivelmente muito mais prazerosos de serem superados.
O que desejamos de vocês, que agora nos deixam para seguir outros caminhos, é aquilo que esperamos de todos: retribuam-nos bem! superem-nos! sejam muito mais e melhores! Pois, como disse o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “retribui-se mal a um mestre, quando se continua a ser sempre aluno”.
Sapere aude! Ousem saber! ousem ser mestres de suas vidas! Em meio à mediocridade do mundo, ao vazio existencial que assola os nossos tempos, ousem valer-se das ferramentas que tentamos, com muito esforço, oferecer-vos ou ensinar-vos a manejar e construam! Construam um mundo mais justo e melhor, relações mais humanas e solidárias, vidas mais completas e belas!
Ah! não esperem facilidades, evidentemente! Mesmo porque nenhuma tarefa é dada desproporcionalmente às capacidades daqueles que a realizarão. E sabemos que são capazes! Foram capazes de atingir este objetivo, a conclusão do ensino médio, mesmo com as tantas adversidades enfrentadas, principalmente neste ano terrível de 2018. E serão capazes de enfrentar os próximos anos e suas vicissitudes. Não mais estaremos juntos, materialmente, mas em nossos corações e nos de vocês, saberemos o que fazer para obter as conquistas. Como disse o sábio chinês Confúcio: “é preciso que o discípulo da sabedoria tenha o coração grande e corajoso. o fardo é pesado e a viagem longa”. E temos certo que seus corações crescerão em tamanho, para abrigar e proteger, bem como crescerão em coragem, para enfrentar os gigantes, mesmo que por vezes sejam apenas moinhos de vento.
Que Deus ilumine o caminho de cada um de vocês! Obrigado por nos haverem também ensinado! Parabéns pela formatura! Caminhem, caminhantes, e que assim possam construir o melhor caminho de todos!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Hino Nacional e sua mensagem de patriotismo


O Hino Nacional e sua mensagem de patriotismo¹

O Hino Nacional Brasileiro é um dos quatro símbolos oficiais da República Federativa do Brasil, juntamente com a bandeira nacional, as armas nacionais e o selo nacional. Sua execução passou a ser obrigatória desde setembro de 2009 ao menos uma vez por semana para os alunos do ensino fundamental das escolas públicas e particulares de todo o país, e deve ocorrer de acordo com o Capítulo V da Lei 5.700 de 1971. Este capítulo da lei trata dos símbolos nacionais e, entre outras coisas, determina que durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio; civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações. Além disso, é vedada qualquer outra forma de saudação gestual ou vocal, por exemplo, aplausos, gritos de ordem ou manifestações ostensivas do gênero, sendo estas desrespeitosas ou não.

A música do Hino Nacional foi composta por Francisco Manuel da Silva, tornando-se popular a partir de 1831 juntamente com uma letra que comemorava a abdicação de D. Pedro I. Após a coroação de D. Pedro II sua letra foi trocada e, em razão de sua popularidade, passou a ser considerada o hino nacional brasileiro, embora não fosse oficializado. Após a proclamação da República, foi aberto um concurso para escolher um novo hino, cujo ganhador foi Leopoldo Miguez. Contudo, devido à pouca aceitação popular, o governo de Deodoro da Fonseca oficializou a composição de Francisco Manual da Silva como Hino Nacional Brasileiro, estabelecendo como Hino da Proclamação da República a composição de Leopoldo Miguez. Em 1906 realizou-se um novo concurso para escolher uma letra que se adaptasse ao hino que teve como vencedor o poema de Joaquim Osório Duque Estrada, em 1909. Em 1922, durante o governo de Epitácio Pessoa, um Decreto oficializou como Hino Nacional Brasileiro a música de Francisco Manuel da Silva e o poema de Joaquim Osório Duque Estrada, permanecendo desta maneira desde então.

A letra oficial do hino foi composta em uma época em que a produção literária seguia padrões de preciosidade da versificação, e conquanto do ponto de vista poético seja uma bela composição, do ponto de vista do entendimento, principalmente levando-se em consideração o pouco acesso da população à educação formal, a poesia do hino nacional peca e muito, de tal modo que algumas pessoas, mesmo tendo certo grau de erudição, sequer compreendem alguns trechos. Por exemplo, logo nos dois primeiros versos podemos ler Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante, que embora pareçam obscuros nada mais fazem do que aludir ao grito de independência dado às margens do calmo rio Ipiranga, e um grito estrondoso porque dado por um povo heroico, representado por sua vez na figura de D. Pedro I. Até o final o hino segue este mesmo padrão de preciosismo e beleza poética, embora sofra da mesma dificuldade de entendimento.

Se o hino de uma nação deve fortalecer o espírito de amor à pátria, o local onde se nasce e muito provavelmente se viverá, exortando seus cidadãos a lutarem por uma pátria cada vez melhor, como devemos considerar o nosso hino nacional, com seu obscurantismo e por isso mesmo tão pouca aceitação? Ora, as imagens do hino parecem-nos mais um ideal a alcançar: uma nação que reconhece e preserva sua beleza, por sua própria natureza gigante, uma nação justa e pacífica, mas pronta para defender bravamente e até a morte a justiça, uma nação onde deve reinar a liberdade, uma nação em pé de igualdade ante as maiores nações, uma brilhante preciosidade da América. Estas são as imagens presentes no Hino Nacional Brasileiro, que evidentemente até hoje não puderam representar um estado real da sociedade brasileira. Mas não devemos pensar ou sentir nosso próprio hino sob estes aspectos de falsidade e negatividade, de falta de clareza, de exclusão da sua mensagem para maioria. Devemos a partir de agora pensar, durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, nos meios que utilizaremos para elevar o Brasil ao nível do belo ideal de nação que seu hino nos apresenta; devemos a partir de agora sentir, durante esta e durante todas as execuções do Hino Nacional Brasileiro, o desejo e a vontade de tornar este país gigante, rico e ainda mais belo por ser justo, como nós sonhamos e nossos descendentes merecem. 


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¹ Texto preparado para leitura antes da execução do Hino Nacional Brasileiro, da semana de 07 de Setembro de 2013. (Porém, não foi lido na data).